ANÁLISE DA CONSANGUINIDADE E DA FERTILIDADE
O futuro do Mastim Napolitano depende, tal como qualquer outro animal da população, da habilidade, da sobrevivência e da reprodução de cada indivíduo da respectiva raça.
Determinada parte destas características deve-se a um componente genético, mas a sua manifestação depende do genótipo, do meio ambiente e da interacção do genótipo com o meio ambiente.
Ou seja nós podemos dizer que alguns genótipos têm uma adaptação melhor aos meios, sendo mais eficientes à sua sobrevivência e em gerar a sua descendência.
Hoje em dia tanto os avanços em medicina veterinária como a aplicação de técnicas recentes na reprodução, permitem a sobrevivência e a reprodução de alguns exemplares, que não sobreviveriam até há poucos anos atrás. Isto é um aspecto importante a ter em conta na selecção de uma raça tão particular como é a do Mastim Napolitano.
O Mastim Napolitano è uma raça antiga seleccionada ao longo de séculos por criadores que perseguiram objectivos muito preciosos, na meta de fixar as características descritas do padrão da raça.
Os criadores seleccionaram, para cobrição, os exemplares que consideravam apresentar as características mais importantes para o aspecto morfológico da raça. Mas a selecção humana e a selecção natural entram em interacção, a qual favorece os indivíduos mais adaptados ao longo dos séculos e, consequentemente, são mais próximos às aptidões espécie (não da raça). a selecção artificial e natural têm frequentemente diferentes objectivos e actuam de maneiras diferentes, como a selecção humana que em muitos casos segue características concretas (do tipo extremo) que se encontram muito distanciantes do que é específico de canis familiaris.
O Mastim Napolitano certamente difere muito do protótipo da sua espécie, de modo que a selecção artificial feita pelos criadores deva ser firme e constante.
O PERÍODO DE REPRODUÇÃO
Embora os objectivos da reprodução sejam, naturalmente, obter
cachorros, os meios para alcançar diferem sensivelmente entre um proprietário particular e um criador. Um proprietário de cão de companhia ou de utilidade deixará ocasionalmente a sua cadela se reproduzir a fim de obter descendentes que apresentem qualidades comparáveis embora a reprodução não seja, conforme diz a crença popular, indispensável para o equilíbrio psicológico ou filosófico de um cão.
Na natureza o acesso à reprodução nas matilhas de cães selvagens
depende intimamente do estatuto hierárquico do individuo porque a monta é uma demonstração de dominância, o que às vezes explica algumas incompatibilidades de carácter entre parceiros.
O criador, por seu lado, tenta seleccionar os reprodutores, machos e fêmeas, em função das suas origens, das suas descendências e das suas qualidades genéticas.
Ele consegue contornar o obstáculo hierárquico assistindo e dirigindo a monta entre os reprodutores que escolheu.
Em caso de recusa dos parceiros, ele pode até mesmo recorrer à inseminação artificial para chegar aos seus objectivos.
Não é simples individualizar as características do protótipo do canis familiaris, mas podemos dizer que o Mastim Napolitano está muito longe dessas características. Por outro lado, as pessoas aficionadas por esta raça adiram precisamente as qualidades extremas que estes apresentam e quanto mais extremo for, mais o animal é apreciado.
A selecção natural aplica diferentes estratégias para beneficiar os exemplares mais adaptados, fazendo-os voltar ao padrão standard da espécie: problemas de fertilidade e redução de longevidade, redução da resposta imunológica, animais mais propensos a ficarem doentes, a resistência a substâncias tóxicas e a mortalidade
aumentam. Todos estes processos estão presentes não só na espécie canina (na qual poucos estudos foram feitos), somente na totalidade dos animais domésticos.
Perante tal situação, temos que juntar dados sobre a cria e verificá-los. A obtenção destes dados pode chegar a ser muito difícil, já que os sentimentos afectivos resultantes da relação homen-cão por vezes perturbam a objectividade. O estudo pode fazer-se com base em proprietários , criadores, veterinários...ou, como neste caso, analisar os dados registados no Livro das Origens. (R.O.I.).
DADOS DEMOGRÁFCOS, FERTILIDADE E CONSANGUINIDADE:
As inscrições anuais nos livros de origens da Sociedade Canina Italiana (L.O.I. e L.I.R.) foram analisadas entre 1974 e 2001, com o total de 23.202 cães. Analisou-se a população completa de Mastins Napolitanos com pedigree Italiano. Estavam registadas todas as ninhadas de criadores privados, criadores de afixos reconhecidos e cães importados com pedigree na F.C.I. Foi a Sociedade Canina Italiana que forneceu os dados utilizados para este estudo. Os dados foram analisados com SAS.O: um programa de estatísticas; para assim obter a maior informação possível, tendo em conta os parâmetros demográficos, de fertilidade e de consanguinidade. Utilizam-se procedimentos médias e freq.
Para as estatísticas descritivas e o coeficiente da consanguinidade mediante um procedimento de acordo. o coeficiente de consanguinidade é indicado por um F e mede a probabilidade que tem um par de genes escolhido ao acaso, descender de um gene comum aleatório; é este que vai permitir o cálculo da degradação da homogeneidade.
O valor F varia entre 0= nenhuma homogeneidade e 1= homogeneidade absoluta. O coeficiente calculado F considera a todos os ancestrais registados no Livro das Origens. A tabela abaixo indicada foi incluída com a finalidade de facilitar a compreensão dos resultados das análises dos coeficientes de consanguinidade, com exemplos dos valores F, considerando o nível de parentesco.

COMENTÁRIOS SOBRE RESULTADOS:
Mais de 50% dos Mastins Napolitanos Italianos não têm afixo. Isto é algo que em outras raças pode ser ainda mais observado. Temos que ter em conta que a cria e a manipulação das ninhadas de Mastim Napolitano nem sempre é simples e tal podia reduzir o número de ninhadas procedentes de particulares. Salvo poucas excepções, o número de cachorros obtidos em criadores reconhecidos parece ser bastante baixo.
Mais de 50% das fêmeas têm uma ninhada durante toda a sua vida, o que reflecte o facto que a maioria das ninhadas vêm de mãos de particulares. O tamanho das ninhadas analisadas nos anos 1974-2001, mostra-nos uma média de quatro cachorros por ninhada (640 ex.). Ninhadas compostas por 1, 2 ou 3 cachorros são habituais: é muito importante verificar este dado, a fim de certificarmo-nos se depende de uma actividade reprodutiva pobre ou se dos criadores, que preferiram registar somente um pequeno número de cachorros. Em qualquer dos casos, existe uma grande quantidade de fêmeas com um baixo nível de fertilidade, seria útil a identificação destas, para assim poder determinar se as alterações da reprodução são resultado da genética (famílias) ou de aspectos do meio ambiente (meio pobre).
Ninhadas de 7, 8, 9 ou 10 cachorros são raras e ninhadas de mais de 11 cachorros são mesmo muito raras. Como curiosidade mencionamos neste ponto de que existe uma ninhada que consiste de 16 cachorros.
Desde 1986 observou-se um crescimento, mesmo que não linear, do número das fêmeas, com respeito ao número de machos, que chegou a uma percentagem de 1.78 em 1994. Entre 1996 e 1998 ocorreu uma tendência negativa na população feminina (M<1.50). Nos últimos três anos houve um novo aumento.
Os elevados valores observados no número de machos devem corresponder a uma grande variedade genética, factor muito importante na evolução da população. Apesar desta, a tendência da média F é ligeiramente ascendente. Desde 1977 a 1983 os valores F mantêm-se bastante baixos (<0.05).
Entre 1984 e 1992 estão compreendidos entre 0.05 e 0.07; em 1994, o F supera os 0.08 e alcança o seu valor máximo em 1997 com F=0.094.
Nos últimos três anos o valor F é de aproximadamente 0.09.
Os valores médios F são claramente superiores (0.09), comparados com os valores F de outras raças, xomo o Cocker Spaniel Inglês (0.05), o English Springer Spaniel (0.04) e o Bóxer (0.03).Durante este estudo foram comparados os valores máximos F: a linha mostra tendências alternativas com um crescimento interessante nos
últimos anos, chegando em um pico de 0.571, o que significa uma repetida consanguinidade. Esta tendência pode--se observar dividida por classes no gráfico 18.Os valores máximos de F foram analisados nos criadores D, G, Ou, S, T com uma produção total de 184, 134, 95, 74, 69; os resultados são alternativos, mas variam substancialmente de criador para criador.
CONCLUSÕES:
Pela primeira vez, foi realizado em Itália uma análise estatística sobre os parâmetros demográficos e genéticos do Mastim Napolitano. Nos dados analisados é considerada a totalidade da população registada. Os registos foram feitos na base da boa fé por parte dos criadores, considerando a quantidade de dados analisados, a possível variação à causa de dados falsos pode ser considerada nula. Como nas outras raças caninas, na maioria dos casos deve tratar-se de animais de companhia que não são utilizados para criação.
Apesar disso uma elevada percentagem de fêmeas teve uma única camada e o mesmo se aplica a 50% dos machos. A média das fêmeas por macho é de 1.5 e de machos por fêmeas é de 34. Uma vez mais, tanto os machos quanto as fêmeas são geralmente animais jovens, o que vai fazer com que a variedade genética se mantenha bastante alta. O número de cachorros por ninhada reflecte a baixa fertilidade na grande parte de percentagem de fêmeas (12% um cachorro, 14% dois cachorros).